Levadas e veredas, um modo de conhecer a Madeira, para todo o viandante que aprecia o repouso e o contacto directo com a natureza, frequentemente quase intocada desde os primórdios do povoamento.

Este percurso faz a ligação entre o núcleo populacional da Ribeira da Janela e a área florestal que lhe é sobranceira, entre os 820 e os 400 metros de altitude, iniciando-se junto à estrada regional 209, na zona do Curral Falso e terminando na mesma estrada já dentro do núcleo populacional da Ribeira da Janela.

Este traçado segue os vestígios de uma antiga vereda utilizada pela população para explorar os recursos lenhosos oferecidos pela floresta e essenciais ao seu dia a dia. Era também o caminho utilizado pela população para a ligação com as localidades da zona sul, principalmente com a Calheta e Ponta do Sol, onde os rapazes corpulentos, subindo as encostas das serras, transportavam às costas os barris e/ou borrachos com o vinho produzido para venderem e/ou trocarem por outros produtos.

Na Ribeira da Janela poderá manter o contacto com a tradicional e peculiar área agrícola com os seus característicos poios agrícolas, suportados pelos muros de pedra laboriosamente trabalhados com batata-doce, semilha (batata), feijão, milho e a imprescindível vinha da Ribeira da Janela.

As casas ocupam uma posição dispersa pelos socalcos, estendendo-se entre a foz da ribeira e os 400 metros de altitude, ocupando a igreja uma posição intermédia. O nome da localidade Ribeira da Janela provém do nome do mais extenso curso de água da Ilha da Madeira com aproximadamente 15 700m.

Este é um bom local para poder avistar o Pombo trocaz (Columba trocaz), ave endémica exclusiva da Madeira. Na época das migrações poderá também encontrar na foz da Ribeira algumas das aves migratórias de passagem como a Garça branca (Egretta garzetta), a Garça vermelha (Ardea purpurea), o Pato real (Anas platyrhynchos).

Este trilho permitirá a ligação ao PR 14 – Levada dos Cedros e ao PR 13 – Vereda do Fanal, ambos com acesso à zona do Fanal.

Este trilho tem início nas Ginjas, no Concelho de São Vicente, e acompanha a esplanada da levada Fajã do Rodrigues ou Levada Fajã da Ama, duas designações por que é conhecida, terminando na madre da levada, na Ribeira do Inferno.

Esta levada, traçada à altitude de 580 metros nasce no leito da Ribeira do Inferno, que separa as terras do Seixal das de São Vicente, e serpenteia por lombos e pequenos vales até ao sítio do Rosário, com a finalidade de irrigar os campos agrícolas de São Vicente.

A floresta exótica com que se deparará no início do trilho, com pinheiros (Pinus pinaster) e eucaliptos (Eucalyptus globulus) antecede a densa vegetação característica da floresta natural – Laurissilva, Património Mundial Natural pela UNESCO, desde Dezembro de 1999.

As quedas de água e as frequentes linhas de água garantem uma vivacidade às espécies como os seixeiros (Salix canariensis), bem como aos grandes tis (Ocotea foetens), aos vinháticos (Persea indica), aos folhados (Clethra arborea) que ao longo da levada se sucedem. Não esquecendo também as espécies floridas, como os gerânios (Geranium palmatum), as estreleiras (Argyranthemum pinnatifidum), as orquídeas da Serra (Dactylorhiza foliosa) e os ranúnculos (Ranunculus cortusifolius) ou mais conhecidos por doiradinhas devido à sua coloração amarela.

Os túneis são uma constante ao longo da levada; por entre as várias passagens entre os diversos e extensos túneis poderá apreciar as belas panorâmicas que a paisagem sobre o vale de São Vicente proporciona.

Poderá avistar alguns dos pássaros que povoam a zona confinante a este trilho, desde tentilhões (Fringilla coelebs maderensis), aos pequeninos pássaros como o Bis-bis (Regulus ignicapillus maderensis), que fazem pulsar este ecossistema e o convidam ao prazer dos sons.

Deixe-se envolver pelo cenário à sua volta, admirando os vales que caem sobre o leito da Ribeira, e prepare o fôlego para o regresso.

Este trilho inicia-se junto à Estrada Regional e tem a particularidade de permitir a descida pela arriba fóssil da Fonte da Areia até à praia do Calhau.

A espectacular arriba arenosa esculpida pelo vento ao longo dos anos, indica bem o efeito da erosão eólica, que se faz sentir na ilha do Porto Santo.

Ao iniciarmos a descida deparamo-nos com uma fonte, datada do ano de 1843 e obviamente a responsável pela origem do nome do local. Em tempos esta água era muito apreciada pelas suas propriedades terapêuticas e medicinais, utilizada então para o abastecimento do sítio da Camacha. Hoje em dia está imprópria para consumo.

Depois de alguns degraus encontramos um pequeno miradouro do lado direito, que nos impressiona com as falésias a norte.

A praia do Calhau é considerada, pela população local, como um óptimo ponto de pesca, sendo muito utilizada pelos mesmos.

A vegetação existente neste percurso é essencialmente herbácea existindo algumas plantas raras como o caso do Limónio (Limonium ovalifolium), da Eufórbia marítima (Euphorbia paralias L.).

A descida faz-se em zizue-zague até ao calhau. O acesso ao mar nem sempre é seguro, porque para além da ondulação esta zona da praia tem algumas rochas, por isso deixe-se seduzir com o azul e com o horizonte e mantenha-se a apreciar e descobrir os pequenos ilhéus que daqui se avistam.