Levadas e veredas, um modo de conhecer a Madeira, para todo o viandante que aprecia o repouso e o contacto directo com a natureza, frequentemente quase intocada desde os primórdios do povoamento.

Este trilho inicia-se na estrada regional E.R.101, junto à Ribeira da Cruz, que separa o Concelho do Porto Moniz do Concelho da Calheta. A partir da estrada tem de subir uma vereda até atingir a levada. Caminhando no sentido contrário ao das águas poderá visitar uma das nascentes que abastece esta levada. Para seguir para a Junqueira terá de voltar para trás e seguir no sentido das águas. Tenha em atenção que vai encontrar uma grande quantidade de derivações da levada, que levam a água a tanques de rega.

A Levada Grande ou do Moínho é assim conhecida por ao longo do seu trajecto terem existido vários moínhos de água, dos quais se encontram as ruínas de três (moínho das Achadas, moínho das Cancelas e moínho da Levada Grande).

Esta é uma levada de heréus, isto é, foi construída a expensas dos seus utilizadores e só eles tinham direito ao seu uso. A levada regava toda a zona do Pico Alto, abrangendo a Fajã do Nunes, grande parte da Vila, Fajã do Barro, Fajã dos Barbusanos e Arrudal, e durante todo o seu percurso não era permitido o uso de outras águas de poços ou nascentes a montante. No sítio do Pico Alto existe um lugar na levada conhecido por Anel. Nesse local foi construído um furo que desviava uma pequena quantidade de água para uso de duas senhoras leprosas que ali viviam, para que estas não contaminassem toda a água da levada. Mais tarde, e aproveitando esse furo, foi construído o poço do Anel que rega parte dos terrenos do Pico Alto.

Conta o povo que a última nascente aproveitada foi a de Madre de Água, que nasce no lado da serra da Ponta do Pargo, no Concelho da Calheta. Nesse local, aquando da reconstrução da levada, encontraram-se os heréus da Levada do Moínho e os heréus da Levada da Ponta do Pargo, causando problemas na construção da ligação àquela nascente. Tendo os Portimonizenses levado figos para a merenda, prontamente ofereceram os apetitosos frutos aos Pargueiros, alertando-os para o facto de que não deveriam comer as sementes que eram venenosas. Assim, enquanto os Pargueiros estavam distraídos a separar as sementes dos figos, os Portimonizenses fizeram uma pequena levada que ligou a nascente de Madre de Água à levada do Moínho.

O trilho termina no sítio do Tornadouro, na Junqueira, onde a levada se ramifica. É de realçar o calcetamento do fundo de algumas secções da levada, feito no intuito de impermeabilizar as zonas onde a água se perdia.

Os dois trilhos iniciam-se da estrada regional (E.R. 110), e descem até à casa de abrigo do Rabaçal. Os trilhos separam-se seguindo duas levadas paralelas localizadas a diferentes cotas.

O trilho PR 6.1, acompanha a levada do Risco, a 1000 m de altitude, levando o caminhante a uma impressionante queda de água, que cai na vertical formando um risco na rocha. Se descer ao PR 6, poderá visitar a lagoa das 25 Fontes, formada pelas águas que descem do Paul da Serra e que aparecem misteriosamente por detrás da parede que a forma, onde poderá contar mais de 25 fontes.

Reza a lenda que quem aqui mergulhasse não mais apareceria à superfície, tendo tal acontecido a um inglês que quis quebrar a superstição e jamais foi encontrado.

A esta cota predomina o urzal de altitude, com predominância de Erica arborea e de Erica scoparia ssp maderensis e uveira da serra (Vaccinium padifolium). Esta composição vegetal natural modifica-se à medida que descemos em altitude, abundando outras espécies, sendo de realçar a presença do raro mocano da serra (Pittosporum coriaceum). Esta área integra a mancha de floresta Laurissilva da Madeira classificada como Património Mundial Natural pela UNESCO, desde Dezembro de 1999 e faz parte da rede europeia de sítios de importância comunitária - Rede Natura 2000. Aqui habita e nidifica o Pombo Trocaz (Columba trocaz trocaz), espécie endémica (exclusiva) da Ilha da Madeira.

A levada das 25 Fontes, também conhecida pela levada nova do Rabaçal, teve o início da sua construção em 1835. No dia 16 de Setembro de 1855 correram as águas pela primeira vez, passando do Norte para o Sul e possibilitando o aproveitamento agrícola de muitos terrenos que ainda se encontravam incultos no Concelho da Calheta.

As duas levadas recolhem as águas dos afluentes da Ribeira Grande e vão alimentar a central hidroeléctrica da Calheta, seguindo depois para a rega de campos agrícolas. Levadas, é o nome que na ilha se dá aos pequenos aquedutos que formam uma vasta rede de irrigação, construída à força de braços pelos nosso antepassados que, vencendo a orografia da ilha, reuniram as águas de milhares de nascentes até as levar aos campos de cultivo.

Este percurso situa-se na zona oeste da Ilha da Madeira, ligando a freguesia dos Prazeres com o Paul do Mar, descendo dos 550 metros de altitude até à beira-mar.

Na freguesia dos Prazeres aproveite para visitar a Quinta Pedagógica onde, para além dos animais existentes, poderá saborear, na Casa de Chá, as infusões feitas com ervas aromáticas e medicinais e aproveitar para adquirir os doces tradicionais confeccionados com os frutos de origem biológica.

A descida é feita pela escarpa entre o Assomadouro nos Prazeres e o cais do Paul, por entre poios agrícolas, suportados pelos seus muros de pedra, antigamente cultivados com cereais; hoje em dia, com o declínio da agricultura, deixados ao abandono.
Assomadouro é o nome dado ao lugar de onde se avista algo de interessante, é sinónimo de miradouro. De facto, a vista que obtém daqui é soberba, pois as belas panorâmicas proporcionadas quer à esquerda, a pequenina freguesia do Jardim do Mar, quer à direita, o Paul do Mar, constituem um autêntico deslumbramento.

Denominado de “caminho de concelho”, é exemplo dos difíceis acessos muitas vezes percorridos com pesadas cargas às costas, mas única alternativa à ligação marítima, demasiado cara para muitos e impossível quando o mar se revoltava.
Este trilho constitui um autêntico património histórico; serpenteando a encosta em ziguezague com o piso calcetado em pequenos degraus é testemunha do isolamento das populações antepassadas, e dos engenhosos e árduos caminhos construídos pelo povo para ultrapassar esse isolamento.

As quedas de água e a flora endémica exclusiva destas altitudes, como oMassaroco da rocha (Echium nervosum) e a Figueira do inferno (Euphorbia piscatoria) contribuem para que o trilho se torne uma verdadeira descoberta.

Chegado ao Paúl do Mar, não deixe por explorar esta pequena freguesia à beira mar plantada e de admirar as grandes falésias que a abraçam. Outrora um importante centro piscatório, devido à grande abundância em peixe, fez com que em 1912 aparecesse uma indústria de conserva de atum com fins de exportação. Hoje em dia, poderá ainda observar os vestígios da chaminé da respectiva fábrica, bem como das salinas existentes, do engenho de cana–de–açúcar e ao pequeno porto piscatório com os seus característicos barcos de pesca, mantendo as tradições marítimas.