Levadas e veredas, um modo de conhecer a Madeira, para todo o viandante que aprecia o repouso e o contacto directo com a natureza, frequentemente quase intocada desde os primórdios do povoamento.

Este trilho inicia-se junto ao miradouro da Portela, onde temos uma vista magnífica sobre as freguesias do Porto da Cruz e do Faial, dominadas pela massa rochosa da Penha d’Águia.

A caminhada segue pela estrada florestal da serra das Funduras, só depois entra na vereda, pelo interior da floresta Laurissilva. Mais tarde, encontra a “Casa das Funduras”, que dá apoio às actividades florestais. Aí poderá optar por deslocar-se ao miradouro do Larano onde terá uma bonita vista sobre a baía da cidade de Machico.

O trilho termina no núcleo populacional dos Maroços, atravessando os tradicionais poios em socalcos, que caracterizam a paisagem agrícola madeirense.

A floresta natural da Ilha da Madeira – floresta Laurissilva – encontra-se predominantemente na vertente norte da ilha. Adaptada à presença de uma humidade atmosférica superior a 85%, distribui-se entre os 400 e os 1300 m de altitude.Como árvores dominantes, esta floresta indígena apresenta os 4 elementos da família das Lauráceas: o Loureiro (Laurus azorica), o Til (Ocotea foetens), o Vinhático (Persea indica), e menos frequentemente, o Barbusano (Apollonias barbujana). A estes associam-se outras árvores, com especial destaque para o Folhado (Clethra arborea), o Azevinho (Ilex perado ssp perado), o Pau Branco (Picconia excelsa), os Mocanos (Pittosporum coriaceum e Visnea mocanera), e o Sanguinho (Rhamnus glandulosa). Esta floresta natural é muito importante para o equilíbrio ecológico insular, sendo o principal suporte da fauna e flora endémicas.

Presentemente ocupa uma superfície superior a 15 000 hectares, sendo conhecida internacionalmente como a floresta Laurissilva que se encontra em melhor estado de conservação, tendo recebido o galardão de Património Mundial Natural, atribuído pela UNESCO, em Dezembro de 1999.
É nesta serra que se encontra a melhor área de floresta Laurissilva da vertente sul da ilha da Madeira, estando incluída na rede europeia de sítios de importância comunitária - Rede Natura 2000.
Esta peculiar floresta assume grande importância como “produtora de água”, atendendo ao seu efeito de retenção da água dos nevoeiros (precipitação oculta). O fenómeno é bem visível neste local, onde é frequente a mudança repentina das condições atmosféricas ao longo do dia. As massas de ar vindas de Norte, carregadas de vapor de água, são obrigadas a subir a vertente Norte da serra, formando nevoeiros quando descem a encosta sul. Esta floresta é essencial para a manutenção das nascentes do Concelho de Machico.

No outro lado do vale poderá observar o campo de golfe do Santo da Serra.
Na linha do horizonte, vislumbram-se as ilhas Selvagens, na terra identifica-se o perfil dos picos mais altos da ilha (Pico Ruivo e Pico do Areeiro).
No miradouro da Portela tem acesso ao PR10 – Levada do Ribeiro Frio.

Este trilho caracteriza-se por um desnível de 1376 m, devendo a descida ou subida ser feita com calma, apreciando a paisagem. Com início na casa de abrigo do Pico Ruivo, e depois de subir ao pico mais alto da Ilha, seguindo o PR1.2, desce até à freguesia da Ilha.

No sítio do Vale da Lapa passará por cima do túnel do Vale da Lapa onde encontra o PR9 - Levada do Caldeirão Verde, que se inicia e retorna ao Parque Florestal das Queimadas.

O trilho atravessa dois tipos de ecossistemas que integram a rede europeia de sítios de importância comunitária - Rede Natura 2000: o maciço montanhoso central e a floresta Laurissilva. O primeiro, desde os picos mais altos até aos 1200m de altitude, caracteriza-se pela vegetação herbácea e arbustiva bem adaptadas às grandes variações de temperatura, fortes chuvadas e ventos intensos.

Aqui poderemos encontrar exemplares centenários de urze (Erica scoparia), antigamente muito explorados para produção de carvão vegetal.

À medida que se desce em altitude encontramos a floresta indígena (natural) da Madeira – Floresta Laurissilva, localizada na zona de nevoeiros, entre os 1200 e 400 m de altitude.

Esta floresta adquire especial importância como “produtora de água”, pois condensa a água dos nevoeiros nas folhas das plantas e retira grandes quantidades de água, conduzindo-a ao solo, onde recarrega as nascentes e as ribeiras.

É ainda provável que aviste o Bisbis (Regulus ignicapillus madeirensis), o mais pequeno dos pássaros que povoa a Madeira, e também o curioso Tentilhão (Fringilla coelebs maderensis) que facilmente se aproxima dos caminhantes.

Com alguma atenção, poderá avistar o Pombo trocaz (Columba trocaz trocaz), a atravessar os vales mais profundos, onde domina a floresta Laurissilva.

Este trilho inicia-se no sítio do Moledo junto à Estrada Regional e, subindo pelo caminho florestal permitirá duas alternativas para o percorrer, pelo lado Norte ou pelo Sul do Pico do Facho. Este tem a particularidade de ser o mais extenso da Ilha do Porto Santo.
Atravessando a zona central da ilha, pela base do Pico do Facho, podemos observar vestígios da antiga área agrícola, do árduo trabalho de construção dos muros emparelhados e contemplar a fantástica obra humana para a reflorestação da ilha.
No cimo do Pico Castelo deparará com a estátua de homenagem a António Schiappa de Azevedo, grande impulsionador da reflorestação do Porto Santo. Todo o processo de arborização permitiu controlar os fenómenos erosivos patentes nesta ilha. Foram introduzidas espécies exóticas, que pelo seu carácter rústico têm maior resistência aos factores adversos, como o caso do Pinheiro de Alepo (Pinus halepensis), do Pinheiro bravo (Pinus pinaster) e do Cedro (Cupressus macrocarpa). As espécies indígenas que podemos encontrar vão desde o dragoeiro (Dracaena draco), a Oliveira (Olea maderensis sp), a Azinheira (Quercus ilex ssp. rotundifolia), algumas Faias (Myrica faya), a urze (Erica scoparia) e florido Massaroco (Echium nervosum).

O percurso oferece paisagens magníficas e a possibilidade de contactar com a fauna da ilha, visionando bandos de perdizes (Alectoris rufa hispanica), de rapinas como a Manta (Buteo buteo harterti) e o Francelho (Falco tinnunculus canariensis), os coloridos Pardais (Passer domesticus) e o impressionante Poupa (Upupa epops).

Após a subida ao Pico Castelo finalizará no Miradouro do Canhão, onde avistará em pano de fundo a cidade Vila Baleira, quase toda a extensão da ilha, e ao longe vislumbrará as Desertas e a Madeira.
A designação do nome Pico Castelo é datada do séc. XV e proveio do facto de existir um forte para onde fugia a população da ilha, quando atacada por piratas franceses e pelos argelinos. A sua posição central, a maior facilidade de organizar a defesa das pessoas, fez deste um verdadeiro Castelo.