Levadas e veredas, um modo de conhecer a Madeira, para todo o viandante que aprecia o repouso e o contacto directo com a natureza, frequentemente quase intocada desde os primórdios do povoamento.

Este trilho caracteriza-se por um desnível de 1376 m, devendo a descida ou subida ser feita com calma, apreciando a paisagem. Com início na casa de abrigo do Pico Ruivo, e depois de subir ao pico mais alto da Ilha, seguindo o PR1.2, desce até à freguesia da Ilha.

No sítio do Vale da Lapa passará por cima do túnel do Vale da Lapa onde encontra o PR9 - Levada do Caldeirão Verde, que se inicia e retorna ao Parque Florestal das Queimadas.

O trilho atravessa dois tipos de ecossistemas que integram a rede europeia de sítios de importância comunitária - Rede Natura 2000: o maciço montanhoso central e a floresta Laurissilva. O primeiro, desde os picos mais altos até aos 1200m de altitude, caracteriza-se pela vegetação herbácea e arbustiva bem adaptadas às grandes variações de temperatura, fortes chuvadas e ventos intensos.

Aqui poderemos encontrar exemplares centenários de urze (Erica scoparia), antigamente muito explorados para produção de carvão vegetal.

À medida que se desce em altitude encontramos a floresta indígena (natural) da Madeira – Floresta Laurissilva, localizada na zona de nevoeiros, entre os 1200 e 400 m de altitude.

Esta floresta adquire especial importância como “produtora de água”, pois condensa a água dos nevoeiros nas folhas das plantas e retira grandes quantidades de água, conduzindo-a ao solo, onde recarrega as nascentes e as ribeiras.

É ainda provável que aviste o Bisbis (Regulus ignicapillus madeirensis), o mais pequeno dos pássaros que povoa a Madeira, e também o curioso Tentilhão (Fringilla coelebs maderensis) que facilmente se aproxima dos caminhantes.

Com alguma atenção, poderá avistar o Pombo trocaz (Columba trocaz trocaz), a atravessar os vales mais profundos, onde domina a floresta Laurissilva.

Com início junto à estrada regional 110, na subida da Encumeada para o Paúl da Serra, este trilho dará acesso às zonas da Bica da Cana, Casa do Caramujo e Folhadal, vindo a terminar na Estrada Regional 228, junto ao entroncamento da Encumeada.

Este percurso acompanha as Levadas da Serra e a do Norte, desenrolando-se entre os 1600 e os 1000 m de altitude e atravessando uma excelente área de vegetação natural, tanto de altitude como de floresta Laurissilva, área integrante de Rede Natura 2000.

Ao longo do percurso encontrará, para além da magnífica paisagem sobre o vale de São Vicente, vários elementos arquitectónicos e patrimoniais da ilha, como é o caso de um “caminho de concelho” – secção de caminho público utilizado para trânsito da população entre o lado norte e o lado sul da ilha – calcetado a pedra; as levadas construídas para o transporte da água e os túneis abertos na rocha para trazer a água do lado norte para o lado sul da ilha.

O percurso decorre ao longo da levada, embora em alguns pontos deixemos de a acompanhar, passando a percorrer a vereda empedrada. Chegado ao topo da vereda, na zona do Pináculo vislumbrará uma magnífica paisagem sobre o vale da Ribeira Brava, e ao fundo a Cordilheira Central, onde se destacam o 2º e o 1º picos mais altos da Madeira, o Pico do Areeiro (1817m) e o Pico Ruivo (1861m).

Envolvendo esta levada, descobrirá uma vegetação rica em pequenas plantas endémicas, as quais, nos meses de Primavera encontrará no auge da sua beleza, as Orquídeas da Serra (Dactylorhiza foliosa), os Ranúnculos (Ranunculus cortusifolius) ou mais conhecidas por doiradinhas devido à sua coloração amarela, as Estreleiras (Argyranthemum pinnatifidum)) e os Gerânios (Geranium palmatum).

Chegará a um ponto em que a levada que o acompanhava desde o início se dividirá em dois ramais, passando então a percorrer a esplanada da Levada do Norte, cujo destino é o aproveitamento hidroeléctrico da Central da Serra d´Água.

As cascatas e os túneis são uma constante ao longo deste percurso, e ultrapassando o último túnel chegará à zona do Folhadal, nome dado devido à quantidade de Folhados (Clethra arborea) que por aqui se encontram.

Já na Encumeada, poderá ter acesso ao PR 1.3 – Vereda da Encumeada que dará acesso ao Pico Ruivo.

O trilho que ladeia a Levada do Rei tem o seu início na Estação de Tratamento de Águas nas Quebradas, em São Jorge, e o final junto à madre da levada no espectacular Ribeiro Bonito.

Caracteriza-se por um percurso inicial que atravessa uma zona florestal mista, pontuada por alguns exemplares da vegetação indígena. Por outro lado, este troço inicial deixa vislumbrar as bonitas paisagens agrícolas panorâmicas de São Jorge e Santana. A partir de metade do percurso, a levada que se desenrola ao longo da encosta, vinda do interior da ilha, entra numa espectacular área de floresta natural, bem desenvolvida e rica em biodiversidade natural.

Os túneis formados pela luxuriante vegetação e pela grande variedade de espécies que poderá encontrar, são excelentes exemplos vivos do potencial natural, enquanto a bonita levada é testemunha do valioso património cultural da ilha.

Finalizando junto ao Ribeiro Bonito, podemos afirmar que se sentirá num autêntico santuário natural. Esta é uma das áreas de floresta Laurissilva - Património Mundial Natural da Unesco desde 1999, onde o coberto vegetal genuinamente madeirense conhece o seu expoente máximo e cuja localização e isolamento provocam uma sensação de regresso ao tempo da descoberta da ilha.

A constante presença de água límpida neste local intensifica a vida que por aqui abunda e permite uma grande diversidade de espécies. Poderá deliciar-se com a beleza dos majestosos Tis centenários (Ocotea foetens), dos Loureiros (Laurus azorica), dos Vinháticos (Persea indica), dos pequeninos pássaros como o Bis-bis (Regulus ignicapillus maderensis), o Tentilhão (Fringilla coelebs maderensis), espécies que fazem pulsar este ecossistema e o convidam ao descanso e ao prazer dos sons.

Não deixe de visitar o Moinho de Água de São Jorge, com cerca de três séculos de história. Este moinho é um bom exemplo de preservação; alimentado com as águas da Levada do Rei, faz moer o trigo, o milho, a cevada e o centeio plantados em poios agrícolas de São Jorge.