Levadas e veredas, um modo de conhecer a Madeira, para todo o viandante que aprecia o repouso e o contacto directo com a natureza, frequentemente quase intocada desde os primórdios do povoamento.

Com início na Achada do Teixeira, este trilho sobe até ao pico mais alto da Ilha da Madeira, o Pico Ruivo (1861m).

Junto à casa de abrigo do Pico Ruivo terá acesso a outros 3 trilhos que o levam a diferentes pontos da ilha: o PR 1 – vereda do Pico do Areeiro (5,1/6,4 Km) leva ao Pico do Areeiro, 2º pico mais alto da ilha (1816m); o PR 1.3 – Vereda da Encumeada (8,6 Km), segue para o lado oeste da ilha até à Encumeada, ao longo da cordilheira montanhosa central; e o PR 1.1- Vereda da Ilha (8,2 Km), que desce para a freguesia da Ilha.

Encontrará ao logo da subida vários abrigos, pois aqui a variação climática é brusca, sendo frequente a área ficar mergulhada num mar de nuvens ou acima delas.

Esta área integra a rede europeia de sítios de importância comunitária - Rede Natura 2000 - com o nome de maciço montanhoso central, e abrange desde os picos mais altos até às cotas de 1200m de altitude. Caracteriza-se pela vegetação herbácea e arbustiva bem adaptadas às grandes variações de temperatura, fortes chuvadas e ventos intensos, onde poderemos encontrar a dominância das urzes (Erica scoparia ssp maderensis e Erica aborea), antigamente muito exploradas para a produção de carvão vegetal.

O trilho sobe ao longo do “lombo”, que separa as encostas do Faial das de Santana, pelo que proporciona do lado esquerdo magníficas paisagens sobre o vale da Ribeira Seca, encimada pelo Pico das Torres, e ao fundo o Pico do Areeiro. Do lado direito temos as “empenas” da serra de Santana, onde, ao longe, podemos ver o Parque Florestal das Queimadas e mais à frente a Achada do Marques (pequeno aglomerado populacional caracterizado pelos seus palheiros e campos agrícolas), que nos aparece no meio do vale da Ribeira dos Arcos.

Para o interior temos o vale da Ribeira Grande, que se inicia nas “bocas” do Caldeirão Verde e do Caldeirão do Inferno. Em dias de boa visibilidade, para Este pode avistar a formação rochosa da Penha d’Águia, a Serra das Funduras e a Ponta de S. Lourenço (extremo Este da Ilha da Madeira).

Na Achada do Teixeira pode ainda visitar o “Homem em pé”, formação rochosa basáltica que se encontra descendo a encosta, depois de passar pela frente da casa de abrigo da Achada do Teixeira.

Este trilho caracteriza-se por um desnível de 1376 m, devendo a descida ou subida ser feita com calma, apreciando a paisagem. Com início na casa de abrigo do Pico Ruivo, e depois de subir ao pico mais alto da Ilha, seguindo o PR1.2, desce até à freguesia da Ilha.

No sítio do Vale da Lapa passará por cima do túnel do Vale da Lapa onde encontra o PR9 - Levada do Caldeirão Verde, que se inicia e retorna ao Parque Florestal das Queimadas.

O trilho atravessa dois tipos de ecossistemas que integram a rede europeia de sítios de importância comunitária - Rede Natura 2000: o maciço montanhoso central e a floresta Laurissilva. O primeiro, desde os picos mais altos até aos 1200m de altitude, caracteriza-se pela vegetação herbácea e arbustiva bem adaptadas às grandes variações de temperatura, fortes chuvadas e ventos intensos.

Aqui poderemos encontrar exemplares centenários de urze (Erica scoparia), antigamente muito explorados para produção de carvão vegetal.

À medida que se desce em altitude encontramos a floresta indígena (natural) da Madeira – Floresta Laurissilva, localizada na zona de nevoeiros, entre os 1200 e 400 m de altitude.

Esta floresta adquire especial importância como “produtora de água”, pois condensa a água dos nevoeiros nas folhas das plantas e retira grandes quantidades de água, conduzindo-a ao solo, onde recarrega as nascentes e as ribeiras.

É ainda provável que aviste o Bisbis (Regulus ignicapillus madeirensis), o mais pequeno dos pássaros que povoa a Madeira, e também o curioso Tentilhão (Fringilla coelebs maderensis) que facilmente se aproxima dos caminhantes.

Com alguma atenção, poderá avistar o Pombo trocaz (Columba trocaz trocaz), a atravessar os vales mais profundos, onde domina a floresta Laurissilva.

Este trilho inicia-se junto à Estrada Regional e tem a particularidade de permitir a descida pela arriba fóssil da Fonte da Areia até à praia do Calhau.

A espectacular arriba arenosa esculpida pelo vento ao longo dos anos, indica bem o efeito da erosão eólica, que se faz sentir na ilha do Porto Santo.

Ao iniciarmos a descida deparamo-nos com uma fonte, datada do ano de 1843 e obviamente a responsável pela origem do nome do local. Em tempos esta água era muito apreciada pelas suas propriedades terapêuticas e medicinais, utilizada então para o abastecimento do sítio da Camacha. Hoje em dia está imprópria para consumo.

Depois de alguns degraus encontramos um pequeno miradouro do lado direito, que nos impressiona com as falésias a norte.

A praia do Calhau é considerada, pela população local, como um óptimo ponto de pesca, sendo muito utilizada pelos mesmos.

A vegetação existente neste percurso é essencialmente herbácea existindo algumas plantas raras como o caso do Limónio (Limonium ovalifolium), da Eufórbia marítima (Euphorbia paralias L.).

A descida faz-se em zizue-zague até ao calhau. O acesso ao mar nem sempre é seguro, porque para além da ondulação esta zona da praia tem algumas rochas, por isso deixe-se seduzir com o azul e com o horizonte e mantenha-se a apreciar e descobrir os pequenos ilhéus que daqui se avistam.