Levadas e veredas, um modo de conhecer a Madeira, para todo o viandante que aprecia o repouso e o contacto directo com a natureza, frequentemente quase intocada desde os primórdios do povoamento.

Este trilho tem início no Miradouro da Boca da Corrida e desenvolve-se entre os 1340 e os 940 metros de altitude, atravessando parte do Maciço Montanhoso Central, junto à base dos picos mais altos da Ilha da Madeira.

Antigo “Caminho Real” calcetado, era um das principais vias para a movimentação de pessoas na ilha. Utilizado por senhorios a cavalo enquanto as suas esposas iam deitadas em redes e transportadas por homens. Há referências de ter existido algures neste caminho uma mercearia, que provavelmente estabelecia um ponto de comércio, numa zona de passagem dos caminhantes que cruzavam a ilha.

Através da paisagem que lhe é dada a observar, descortinará na depressão o Curral das Freiras. Esta pequena vila no coração da ilha e rodeada de enormes montanhas tornou-se o refúgio, em 1566, das freiras do Convento de Santa Clara, aquando dos ataques dos piratas ao Funchal, levando consigo o tesouro do convento.

Os cursos de água que ao longo do trilho rasgam os montes, irão nutrir a vegetação composta pelas espécies de Laurissilva que aqui abundam, como o Loureiro (Laurus azorica), o Vinhático (Persea indica), Tis centenários (Ocotea foetens), Estreleiras (Argyranthemum pinnatifidum).

Pelo trilho poderá avistar algumas espécies da avifauna indígena como o Bis-Bis (Rugulus ignicapillus maderensis), o Tentilhão (Fringilla coelebs maderensis), a Manta (Buteo buteo harterti), Francelho (Falco tinnunculus canariensis), o Pombo trocaz (Columba trocaz) e a Lavandeira (Motacilla cinerea schmitzi).

À medida que contorna o Pico Grande, a povoação da Serra d´Água e Encumeada aparecer-lhe-ão à vista, bem como a passagem pelos tubos de água que derivam da Câmara de Carga que irá abastecer a Central Hidroeléctrica da Serra d´Água, far-lhe-á antever o final do percurso na Boca da Encumeada.

Este percurso faz a ligação entre o núcleo populacional da Ribeira da Janela e a área florestal que lhe é sobranceira, entre os 820 e os 400 metros de altitude, iniciando-se junto à estrada regional 209, na zona do Curral Falso e terminando na mesma estrada já dentro do núcleo populacional da Ribeira da Janela.

Este traçado segue os vestígios de uma antiga vereda utilizada pela população para explorar os recursos lenhosos oferecidos pela floresta e essenciais ao seu dia a dia. Era também o caminho utilizado pela população para a ligação com as localidades da zona sul, principalmente com a Calheta e Ponta do Sol, onde os rapazes corpulentos, subindo as encostas das serras, transportavam às costas os barris e/ou borrachos com o vinho produzido para venderem e/ou trocarem por outros produtos.

Na Ribeira da Janela poderá manter o contacto com a tradicional e peculiar área agrícola com os seus característicos poios agrícolas, suportados pelos muros de pedra laboriosamente trabalhados com batata-doce, semilha (batata), feijão, milho e a imprescindível vinha da Ribeira da Janela.

As casas ocupam uma posição dispersa pelos socalcos, estendendo-se entre a foz da ribeira e os 400 metros de altitude, ocupando a igreja uma posição intermédia. O nome da localidade Ribeira da Janela provém do nome do mais extenso curso de água da Ilha da Madeira com aproximadamente 15 700m.

Este é um bom local para poder avistar o Pombo trocaz (Columba trocaz), ave endémica exclusiva da Madeira. Na época das migrações poderá também encontrar na foz da Ribeira algumas das aves migratórias de passagem como a Garça branca (Egretta garzetta), a Garça vermelha (Ardea purpurea), o Pato real (Anas platyrhynchos).

Este trilho permitirá a ligação ao PR 14 – Levada dos Cedros e ao PR 13 – Vereda do Fanal, ambos com acesso à zona do Fanal.

Com início junto à estrada regional 110, na subida da Encumeada para o Paúl da Serra, este trilho dará acesso às zonas da Bica da Cana, Casa do Caramujo e Folhadal, vindo a terminar na Estrada Regional 228, junto ao entroncamento da Encumeada.

Este percurso acompanha as Levadas da Serra e a do Norte, desenrolando-se entre os 1600 e os 1000 m de altitude e atravessando uma excelente área de vegetação natural, tanto de altitude como de floresta Laurissilva, área integrante de Rede Natura 2000.

Ao longo do percurso encontrará, para além da magnífica paisagem sobre o vale de São Vicente, vários elementos arquitectónicos e patrimoniais da ilha, como é o caso de um “caminho de concelho” – secção de caminho público utilizado para trânsito da população entre o lado norte e o lado sul da ilha – calcetado a pedra; as levadas construídas para o transporte da água e os túneis abertos na rocha para trazer a água do lado norte para o lado sul da ilha.

O percurso decorre ao longo da levada, embora em alguns pontos deixemos de a acompanhar, passando a percorrer a vereda empedrada. Chegado ao topo da vereda, na zona do Pináculo vislumbrará uma magnífica paisagem sobre o vale da Ribeira Brava, e ao fundo a Cordilheira Central, onde se destacam o 2º e o 1º picos mais altos da Madeira, o Pico do Areeiro (1817m) e o Pico Ruivo (1861m).

Envolvendo esta levada, descobrirá uma vegetação rica em pequenas plantas endémicas, as quais, nos meses de Primavera encontrará no auge da sua beleza, as Orquídeas da Serra (Dactylorhiza foliosa), os Ranúnculos (Ranunculus cortusifolius) ou mais conhecidas por doiradinhas devido à sua coloração amarela, as Estreleiras (Argyranthemum pinnatifidum)) e os Gerânios (Geranium palmatum).

Chegará a um ponto em que a levada que o acompanhava desde o início se dividirá em dois ramais, passando então a percorrer a esplanada da Levada do Norte, cujo destino é o aproveitamento hidroeléctrico da Central da Serra d´Água.

As cascatas e os túneis são uma constante ao longo deste percurso, e ultrapassando o último túnel chegará à zona do Folhadal, nome dado devido à quantidade de Folhados (Clethra arborea) que por aqui se encontram.

Já na Encumeada, poderá ter acesso ao PR 1.3 – Vereda da Encumeada que dará acesso ao Pico Ruivo.