Levadas e veredas, um modo de conhecer a Madeira, para todo o viandante que aprecia o repouso e o contacto directo com a natureza, frequentemente quase intocada desde os primórdios do povoamento.

O trilho que ladeia a Levada do Rei tem o seu início na Estação de Tratamento de Águas nas Quebradas, em São Jorge, e o final junto à madre da levada no espectacular Ribeiro Bonito.

Caracteriza-se por um percurso inicial que atravessa uma zona florestal mista, pontuada por alguns exemplares da vegetação indígena. Por outro lado, este troço inicial deixa vislumbrar as bonitas paisagens agrícolas panorâmicas de São Jorge e Santana. A partir de metade do percurso, a levada que se desenrola ao longo da encosta, vinda do interior da ilha, entra numa espectacular área de floresta natural, bem desenvolvida e rica em biodiversidade natural.

Os túneis formados pela luxuriante vegetação e pela grande variedade de espécies que poderá encontrar, são excelentes exemplos vivos do potencial natural, enquanto a bonita levada é testemunha do valioso património cultural da ilha.

Finalizando junto ao Ribeiro Bonito, podemos afirmar que se sentirá num autêntico santuário natural. Esta é uma das áreas de floresta Laurissilva - Património Mundial Natural da Unesco desde 1999, onde o coberto vegetal genuinamente madeirense conhece o seu expoente máximo e cuja localização e isolamento provocam uma sensação de regresso ao tempo da descoberta da ilha.

A constante presença de água límpida neste local intensifica a vida que por aqui abunda e permite uma grande diversidade de espécies. Poderá deliciar-se com a beleza dos majestosos Tis centenários (Ocotea foetens), dos Loureiros (Laurus azorica), dos Vinháticos (Persea indica), dos pequeninos pássaros como o Bis-bis (Regulus ignicapillus maderensis), o Tentilhão (Fringilla coelebs maderensis), espécies que fazem pulsar este ecossistema e o convidam ao descanso e ao prazer dos sons.

Não deixe de visitar o Moinho de Água de São Jorge, com cerca de três séculos de história. Este moinho é um bom exemplo de preservação; alimentado com as águas da Levada do Rei, faz moer o trigo, o milho, a cevada e o centeio plantados em poios agrícolas de São Jorge.

Este trilho inicia-se junto ao miradouro da Portela, onde temos uma vista magnífica sobre as freguesias do Porto da Cruz e do Faial, dominadas pela massa rochosa da Penha d’Águia.

A caminhada segue pela estrada florestal da serra das Funduras, só depois entra na vereda, pelo interior da floresta Laurissilva. Mais tarde, encontra a “Casa das Funduras”, que dá apoio às actividades florestais. Aí poderá optar por deslocar-se ao miradouro do Larano onde terá uma bonita vista sobre a baía da cidade de Machico.

O trilho termina no núcleo populacional dos Maroços, atravessando os tradicionais poios em socalcos, que caracterizam a paisagem agrícola madeirense.

A floresta natural da Ilha da Madeira – floresta Laurissilva – encontra-se predominantemente na vertente norte da ilha. Adaptada à presença de uma humidade atmosférica superior a 85%, distribui-se entre os 400 e os 1300 m de altitude.Como árvores dominantes, esta floresta indígena apresenta os 4 elementos da família das Lauráceas: o Loureiro (Laurus azorica), o Til (Ocotea foetens), o Vinhático (Persea indica), e menos frequentemente, o Barbusano (Apollonias barbujana). A estes associam-se outras árvores, com especial destaque para o Folhado (Clethra arborea), o Azevinho (Ilex perado ssp perado), o Pau Branco (Picconia excelsa), os Mocanos (Pittosporum coriaceum e Visnea mocanera), e o Sanguinho (Rhamnus glandulosa). Esta floresta natural é muito importante para o equilíbrio ecológico insular, sendo o principal suporte da fauna e flora endémicas.

Presentemente ocupa uma superfície superior a 15 000 hectares, sendo conhecida internacionalmente como a floresta Laurissilva que se encontra em melhor estado de conservação, tendo recebido o galardão de Património Mundial Natural, atribuído pela UNESCO, em Dezembro de 1999.
É nesta serra que se encontra a melhor área de floresta Laurissilva da vertente sul da ilha da Madeira, estando incluída na rede europeia de sítios de importância comunitária - Rede Natura 2000.
Esta peculiar floresta assume grande importância como “produtora de água”, atendendo ao seu efeito de retenção da água dos nevoeiros (precipitação oculta). O fenómeno é bem visível neste local, onde é frequente a mudança repentina das condições atmosféricas ao longo do dia. As massas de ar vindas de Norte, carregadas de vapor de água, são obrigadas a subir a vertente Norte da serra, formando nevoeiros quando descem a encosta sul. Esta floresta é essencial para a manutenção das nascentes do Concelho de Machico.

No outro lado do vale poderá observar o campo de golfe do Santo da Serra.
Na linha do horizonte, vislumbram-se as ilhas Selvagens, na terra identifica-se o perfil dos picos mais altos da ilha (Pico Ruivo e Pico do Areeiro).
No miradouro da Portela tem acesso ao PR10 – Levada do Ribeiro Frio.

Com início na Achada do Teixeira, este trilho sobe até ao pico mais alto da Ilha da Madeira, o Pico Ruivo (1861m).

Junto à casa de abrigo do Pico Ruivo terá acesso a outros 3 trilhos que o levam a diferentes pontos da ilha: o PR 1 – vereda do Pico do Areeiro (5,1/6,4 Km) leva ao Pico do Areeiro, 2º pico mais alto da ilha (1816m); o PR 1.3 – Vereda da Encumeada (8,6 Km), segue para o lado oeste da ilha até à Encumeada, ao longo da cordilheira montanhosa central; e o PR 1.1- Vereda da Ilha (8,2 Km), que desce para a freguesia da Ilha.

Encontrará ao logo da subida vários abrigos, pois aqui a variação climática é brusca, sendo frequente a área ficar mergulhada num mar de nuvens ou acima delas.

Esta área integra a rede europeia de sítios de importância comunitária - Rede Natura 2000 - com o nome de maciço montanhoso central, e abrange desde os picos mais altos até às cotas de 1200m de altitude. Caracteriza-se pela vegetação herbácea e arbustiva bem adaptadas às grandes variações de temperatura, fortes chuvadas e ventos intensos, onde poderemos encontrar a dominância das urzes (Erica scoparia ssp maderensis e Erica aborea), antigamente muito exploradas para a produção de carvão vegetal.

O trilho sobe ao longo do “lombo”, que separa as encostas do Faial das de Santana, pelo que proporciona do lado esquerdo magníficas paisagens sobre o vale da Ribeira Seca, encimada pelo Pico das Torres, e ao fundo o Pico do Areeiro. Do lado direito temos as “empenas” da serra de Santana, onde, ao longe, podemos ver o Parque Florestal das Queimadas e mais à frente a Achada do Marques (pequeno aglomerado populacional caracterizado pelos seus palheiros e campos agrícolas), que nos aparece no meio do vale da Ribeira dos Arcos.

Para o interior temos o vale da Ribeira Grande, que se inicia nas “bocas” do Caldeirão Verde e do Caldeirão do Inferno. Em dias de boa visibilidade, para Este pode avistar a formação rochosa da Penha d’Águia, a Serra das Funduras e a Ponta de S. Lourenço (extremo Este da Ilha da Madeira).

Na Achada do Teixeira pode ainda visitar o “Homem em pé”, formação rochosa basáltica que se encontra descendo a encosta, depois de passar pela frente da casa de abrigo da Achada do Teixeira.