Levadas e veredas, um modo de conhecer a Madeira, para todo o viandante que aprecia o repouso e o contacto directo com a natureza, frequentemente quase intocada desde os primórdios do povoamento.

Este trilho inicia-se junto à Estrada Regional e tem a particularidade de permitir a descida pela arriba fóssil da Fonte da Areia até à praia do Calhau.

A espectacular arriba arenosa esculpida pelo vento ao longo dos anos, indica bem o efeito da erosão eólica, que se faz sentir na ilha do Porto Santo.

Ao iniciarmos a descida deparamo-nos com uma fonte, datada do ano de 1843 e obviamente a responsável pela origem do nome do local. Em tempos esta água era muito apreciada pelas suas propriedades terapêuticas e medicinais, utilizada então para o abastecimento do sítio da Camacha. Hoje em dia está imprópria para consumo.

Depois de alguns degraus encontramos um pequeno miradouro do lado direito, que nos impressiona com as falésias a norte.

A praia do Calhau é considerada, pela população local, como um óptimo ponto de pesca, sendo muito utilizada pelos mesmos.

A vegetação existente neste percurso é essencialmente herbácea existindo algumas plantas raras como o caso do Limónio (Limonium ovalifolium), da Eufórbia marítima (Euphorbia paralias L.).

A descida faz-se em zizue-zague até ao calhau. O acesso ao mar nem sempre é seguro, porque para além da ondulação esta zona da praia tem algumas rochas, por isso deixe-se seduzir com o azul e com o horizonte e mantenha-se a apreciar e descobrir os pequenos ilhéus que daqui se avistam.

O trilho inicia-se na estrada regional E.R.111 e seguindo o caminho que dará acesso ao topo do Pico Branco, encontramos uma enorme formação prismática na qual a própria vereda foi talhada, é a chamada Rocha Quebrada.
A subida mais íngreme do percurso faz-se ladeada por uma vedação de urze, o que lhe confere um aspecto semelhante a alguns percursos da Madeira, e termina numa falha na rocha da Crista do Cabeço.
A vereda segue por entre uma paisagem com predominância de cupressus (Cupressus macrocarpa) até encontrarmos a bifurcação que nos leva à direita à Terra Chã, e à esquerda ao Pico Branco, segundo pico mais alto do Porto Santo.

O Pico Branco ganhou o nome devido à existência de uma coluna de pedra branca, onde antigamente havia muita urzela, a qual era exportada do Porto Santo para a produção de tintas e de outras especialidades afins.

A Área do Pico Branco e Terra Chã integra a rede europeia de sítios de interesse comunitário – Rede Natura 2000, Directiva Habitats, por apresentar a existência de endemismos de flora e fauna (moluscos terrestres-caracóis).
Este é o único sítio da ilha do Porto Santo onde foi registada a maior quantidade de flora indígena melhor conservada, essencialmente por se encontrar refugiada em áreas abruptas, em escarpas pouco acessíveis ou até mesmo inacessíveis. A vegetação indígena é maioritariamente herbácea e arbustiva.
Aqui podemos encontrar ainda duas espécies de aves marinhas de relevo como a Cagarra (Calonectris diomedea borealis) e o Garajau comum (Sterna hirundo). Na Terra Chã existe uma casa de pedra recentemente restaurada com vista a apoiar a propagação de plantas endémicas, a sua reintrodução no meio e a realização de estudos científicos.

Por debaixo da Terra Chã fica a Furna dos Homiziados, antigo esconderijo de foragidos, onde segundo a tradição várias pessoas se esconderam fugidas da lei e das investidas de pirataria dos argelinos. Conta a lenda que numa dessas emergências o seu tecto se abateu, sepultando quantos lá se abrigavam.

Os inúmeros miradouros naturais que nos oferece esta vereda permitem-nos vislumbrar grande parte da ilha do Porto Santo desde o calhau da Serra de Dentro, Pico do Concelho, Ilhéu de Cima, Pico do Maçarico, Portela, Rocha de Nossa Senhora, a cidade, parte da praia, o Pico Ana Ferreira, Espigão dos Morenos, a Calheta e o Ilhéu de Baixo.

Esta vereda foi traçada de propósito para a passagem dos burros com carga quando os locais semeavam cevada na Terra Chã.
O regresso é feito pela mesma vereda.

O trilho que ladeia a Levada do Rei tem o seu início na Estação de Tratamento de Águas nas Quebradas, em São Jorge, e o final junto à madre da levada no espectacular Ribeiro Bonito.

Caracteriza-se por um percurso inicial que atravessa uma zona florestal mista, pontuada por alguns exemplares da vegetação indígena. Por outro lado, este troço inicial deixa vislumbrar as bonitas paisagens agrícolas panorâmicas de São Jorge e Santana. A partir de metade do percurso, a levada que se desenrola ao longo da encosta, vinda do interior da ilha, entra numa espectacular área de floresta natural, bem desenvolvida e rica em biodiversidade natural.

Os túneis formados pela luxuriante vegetação e pela grande variedade de espécies que poderá encontrar, são excelentes exemplos vivos do potencial natural, enquanto a bonita levada é testemunha do valioso património cultural da ilha.

Finalizando junto ao Ribeiro Bonito, podemos afirmar que se sentirá num autêntico santuário natural. Esta é uma das áreas de floresta Laurissilva - Património Mundial Natural da Unesco desde 1999, onde o coberto vegetal genuinamente madeirense conhece o seu expoente máximo e cuja localização e isolamento provocam uma sensação de regresso ao tempo da descoberta da ilha.

A constante presença de água límpida neste local intensifica a vida que por aqui abunda e permite uma grande diversidade de espécies. Poderá deliciar-se com a beleza dos majestosos Tis centenários (Ocotea foetens), dos Loureiros (Laurus azorica), dos Vinháticos (Persea indica), dos pequeninos pássaros como o Bis-bis (Regulus ignicapillus maderensis), o Tentilhão (Fringilla coelebs maderensis), espécies que fazem pulsar este ecossistema e o convidam ao descanso e ao prazer dos sons.

Não deixe de visitar o Moinho de Água de São Jorge, com cerca de três séculos de história. Este moinho é um bom exemplo de preservação; alimentado com as águas da Levada do Rei, faz moer o trigo, o milho, a cevada e o centeio plantados em poios agrícolas de São Jorge.