Levadas e veredas, um modo de conhecer a Madeira, para todo o viandante que aprecia o repouso e o contacto directo com a natureza, frequentemente quase intocada desde os primórdios do povoamento.

Com início junto à estrada regional 110, na subida da Encumeada para o Paúl da Serra, este trilho dará acesso às zonas da Bica da Cana, Casa do Caramujo e Folhadal, vindo a terminar na Estrada Regional 228, junto ao entroncamento da Encumeada.

Este percurso acompanha as Levadas da Serra e a do Norte, desenrolando-se entre os 1600 e os 1000 m de altitude e atravessando uma excelente área de vegetação natural, tanto de altitude como de floresta Laurissilva, área integrante de Rede Natura 2000.

Ao longo do percurso encontrará, para além da magnífica paisagem sobre o vale de São Vicente, vários elementos arquitectónicos e patrimoniais da ilha, como é o caso de um “caminho de concelho” – secção de caminho público utilizado para trânsito da população entre o lado norte e o lado sul da ilha – calcetado a pedra; as levadas construídas para o transporte da água e os túneis abertos na rocha para trazer a água do lado norte para o lado sul da ilha.

O percurso decorre ao longo da levada, embora em alguns pontos deixemos de a acompanhar, passando a percorrer a vereda empedrada. Chegado ao topo da vereda, na zona do Pináculo vislumbrará uma magnífica paisagem sobre o vale da Ribeira Brava, e ao fundo a Cordilheira Central, onde se destacam o 2º e o 1º picos mais altos da Madeira, o Pico do Areeiro (1817m) e o Pico Ruivo (1861m).

Envolvendo esta levada, descobrirá uma vegetação rica em pequenas plantas endémicas, as quais, nos meses de Primavera encontrará no auge da sua beleza, as Orquídeas da Serra (Dactylorhiza foliosa), os Ranúnculos (Ranunculus cortusifolius) ou mais conhecidas por doiradinhas devido à sua coloração amarela, as Estreleiras (Argyranthemum pinnatifidum)) e os Gerânios (Geranium palmatum).

Chegará a um ponto em que a levada que o acompanhava desde o início se dividirá em dois ramais, passando então a percorrer a esplanada da Levada do Norte, cujo destino é o aproveitamento hidroeléctrico da Central da Serra d´Água.

As cascatas e os túneis são uma constante ao longo deste percurso, e ultrapassando o último túnel chegará à zona do Folhadal, nome dado devido à quantidade de Folhados (Clethra arborea) que por aqui se encontram.

Já na Encumeada, poderá ter acesso ao PR 1.3 – Vereda da Encumeada que dará acesso ao Pico Ruivo.

Este trilho inicia-se junto à Estrada Regional e tem a particularidade de permitir a descida pela arriba fóssil da Fonte da Areia até à praia do Calhau.

A espectacular arriba arenosa esculpida pelo vento ao longo dos anos, indica bem o efeito da erosão eólica, que se faz sentir na ilha do Porto Santo.

Ao iniciarmos a descida deparamo-nos com uma fonte, datada do ano de 1843 e obviamente a responsável pela origem do nome do local. Em tempos esta água era muito apreciada pelas suas propriedades terapêuticas e medicinais, utilizada então para o abastecimento do sítio da Camacha. Hoje em dia está imprópria para consumo.

Depois de alguns degraus encontramos um pequeno miradouro do lado direito, que nos impressiona com as falésias a norte.

A praia do Calhau é considerada, pela população local, como um óptimo ponto de pesca, sendo muito utilizada pelos mesmos.

A vegetação existente neste percurso é essencialmente herbácea existindo algumas plantas raras como o caso do Limónio (Limonium ovalifolium), da Eufórbia marítima (Euphorbia paralias L.).

A descida faz-se em zizue-zague até ao calhau. O acesso ao mar nem sempre é seguro, porque para além da ondulação esta zona da praia tem algumas rochas, por isso deixe-se seduzir com o azul e com o horizonte e mantenha-se a apreciar e descobrir os pequenos ilhéus que daqui se avistam.

O trilho que ladeia a Levada do Rei tem o seu início na Estação de Tratamento de Águas nas Quebradas, em São Jorge, e o final junto à madre da levada no espectacular Ribeiro Bonito.

Caracteriza-se por um percurso inicial que atravessa uma zona florestal mista, pontuada por alguns exemplares da vegetação indígena. Por outro lado, este troço inicial deixa vislumbrar as bonitas paisagens agrícolas panorâmicas de São Jorge e Santana. A partir de metade do percurso, a levada que se desenrola ao longo da encosta, vinda do interior da ilha, entra numa espectacular área de floresta natural, bem desenvolvida e rica em biodiversidade natural.

Os túneis formados pela luxuriante vegetação e pela grande variedade de espécies que poderá encontrar, são excelentes exemplos vivos do potencial natural, enquanto a bonita levada é testemunha do valioso património cultural da ilha.

Finalizando junto ao Ribeiro Bonito, podemos afirmar que se sentirá num autêntico santuário natural. Esta é uma das áreas de floresta Laurissilva - Património Mundial Natural da Unesco desde 1999, onde o coberto vegetal genuinamente madeirense conhece o seu expoente máximo e cuja localização e isolamento provocam uma sensação de regresso ao tempo da descoberta da ilha.

A constante presença de água límpida neste local intensifica a vida que por aqui abunda e permite uma grande diversidade de espécies. Poderá deliciar-se com a beleza dos majestosos Tis centenários (Ocotea foetens), dos Loureiros (Laurus azorica), dos Vinháticos (Persea indica), dos pequeninos pássaros como o Bis-bis (Regulus ignicapillus maderensis), o Tentilhão (Fringilla coelebs maderensis), espécies que fazem pulsar este ecossistema e o convidam ao descanso e ao prazer dos sons.

Não deixe de visitar o Moinho de Água de São Jorge, com cerca de três séculos de história. Este moinho é um bom exemplo de preservação; alimentado com as águas da Levada do Rei, faz moer o trigo, o milho, a cevada e o centeio plantados em poios agrícolas de São Jorge.