Levadas e veredas, um modo de conhecer a Madeira, para todo o viandante que aprecia o repouso e o contacto directo com a natureza, frequentemente quase intocada desde os primórdios do povoamento.

Este trilho tem início na Estrada Regional 209 junto à famosa zona do Fanal, no planalto do Paul da Serra e, acompanhando a Levada dos Cedros chegará à freguesia da Ribeira da Janela.

Aproveite a magnífica zona do Fanal, pequena caldeira vulcânica e classificada de Reserva de Repouso e Silêncio pelo Parque Natural da Madeira para adquirir uma boa dose de terapia de relaxamento. Aqui encontrará uns estupendos bosques de tis (Ocotea foetens) centenários, realçando alguns exemplares que resistem desde tempos antes do descobrimento da ilha.

A Levada dos Cedros tem a sua origem nos afloramentos hídricos do Lombo do Cedro, a 1000 metros de altitude, localizada na encosta da margem direita da Ribeira da Janela. Com uma construção datada do século XVII, esta levada constitui, ainda hoje, uma das mais primitivas construídas na ilha, sendo a mesma escavada no solo da encosta e apenas calcetada em zonas onde o solo é mais friável.

Este percurso insere-se numa área de coberto florestal originário da Madeira, em exuberante estado de conservação e desenvolvimento, a floresta Laurissilva, classificada de Património Mundial Natural pela UNESCO, desde Dezembro de 1999 e integrante da Rede Europeia de Sítios de Importância Comunitária – Rede Natura 2000.

No decorrer do percurso deparará com uma evolução na dimensão das espécies indígenas, chegando a um estado clímax. São tis (Ocotea foetens), Folhados (Clethra arborea), Loureiros (Laurus azorica), Vinháticos (Persea indica), Uveira da serra (Vaccinium padifolium) no seu máximo esplendor.

Desde a sua origem, o traçado da levada dos Cedros desenvolve-se sempre pela declivosa encosta da margem direita da Ribeira da Janela até ao sítio da Entrosa, para depois flectir em direcção a norte, até ao seu termo no Curral Falso.

Este trilho permite a ligação ao PR 15-Vereda da Ribeira da Janela, dando acesso ao núcleo populacional adjacente.

Este trilho inicia-se no Ribeiro Frio, concelho de Santana, e ao longo da cota dos 860 m de altitude acompanhamos a esplanada da Levada da Serra do Faial até à casa de divisão de águas, descendo até à zona dos Lamaceiros e finalizando no miradouro da Portela, no concelho de Machico.

A levada do furado, com início no Ribeiro Frio, é uma das mais antigas levadas pertencentes ao estado, tendo sido adquirida por contrato celebrado no ano de 1822 entre o primeiro Conde de Carvalhal e a Junta da Real Fazenda, e cujo destino era irrigar os campos agrícolas do Porto da Cruz. Devido à ligação com as levadas do Juncal e da Serra do Faial, que a ela se juntam logo no seu início e continuam para além do seu terminus no sítio dos Lamaceiros, diz-se que esta levada transporta três águas; aquela que sendo recolhida no vale do Ribeiro Frio rega os poios do Porto da Cruz; e as que vindo das serras de Santana são armazenadas na Lagoa do Santo da Serra para posterior distribuição.

Ao longo desta levada podemos contemplar os multivariados tons de verde, proporcionados pela bem conservada mancha de floresta natural da Ilha – Floresta Laurissilva - constituída predominantemente pelo Loureiro (Laurus azorica), Folhado (Clethra arborea), Til (Ocotea foetens), Vinhático (Persea indica), destacando-se ainda o Isoplexis (Isoplexis sceptrum), o Massaroco (Echium candicans), as Estreleiras (Argyranthemum pinnatifidum), e a Orquídea da Serra (Dactylorhiza foliosa).

É possível avistar o Bisbis (Regulus ignicapillus madeirensis), o mais pequeno pássaro que povoa a Madeira e o destemido tentilhão (Fringilla coelebs maderensis). Mais raro será o Pombo Trocaz (Columba trocaz trocaz) espécie endémica da Madeira.

A paisagem é dominada pelo vale do Ribeiro Frio, onde são surpreendentes os campos agrícolas do Faial, São Roque do Faial e Porto da Cruz; a espectacular massa rochosa da Penha de Águia, que protege a oriente a baía do Faial, enquanto a ocidente a Ponta dos Clérigos.

É no sítio dos Lamaceiros que se separam as águas, e é aqui que acaba a Levada do Furado e onde se inicia a descida para a Portela. Atravessando a zona florestal dos Lamaceiros e passando o Posto Florestal dos Lamaceiros, o percurso continua pela estrada de terra até se encontrar a Levada da Portela, que ladeia pela esquerda o Lombo das Faias, terminando ao encontrar a Estrada Regional ER102.

Este trilho inicia-se no sítio do Moledo junto à Estrada Regional e, subindo pelo caminho florestal permitirá duas alternativas para o percorrer, pelo lado Norte ou pelo Sul do Pico do Facho. Este tem a particularidade de ser o mais extenso da Ilha do Porto Santo.
Atravessando a zona central da ilha, pela base do Pico do Facho, podemos observar vestígios da antiga área agrícola, do árduo trabalho de construção dos muros emparelhados e contemplar a fantástica obra humana para a reflorestação da ilha.
No cimo do Pico Castelo deparará com a estátua de homenagem a António Schiappa de Azevedo, grande impulsionador da reflorestação do Porto Santo. Todo o processo de arborização permitiu controlar os fenómenos erosivos patentes nesta ilha. Foram introduzidas espécies exóticas, que pelo seu carácter rústico têm maior resistência aos factores adversos, como o caso do Pinheiro de Alepo (Pinus halepensis), do Pinheiro bravo (Pinus pinaster) e do Cedro (Cupressus macrocarpa). As espécies indígenas que podemos encontrar vão desde o dragoeiro (Dracaena draco), a Oliveira (Olea maderensis sp), a Azinheira (Quercus ilex ssp. rotundifolia), algumas Faias (Myrica faya), a urze (Erica scoparia) e florido Massaroco (Echium nervosum).

O percurso oferece paisagens magníficas e a possibilidade de contactar com a fauna da ilha, visionando bandos de perdizes (Alectoris rufa hispanica), de rapinas como a Manta (Buteo buteo harterti) e o Francelho (Falco tinnunculus canariensis), os coloridos Pardais (Passer domesticus) e o impressionante Poupa (Upupa epops).

Após a subida ao Pico Castelo finalizará no Miradouro do Canhão, onde avistará em pano de fundo a cidade Vila Baleira, quase toda a extensão da ilha, e ao longe vislumbrará as Desertas e a Madeira.
A designação do nome Pico Castelo é datada do séc. XV e proveio do facto de existir um forte para onde fugia a população da ilha, quando atacada por piratas franceses e pelos argelinos. A sua posição central, a maior facilidade de organizar a defesa das pessoas, fez deste um verdadeiro Castelo.