Levadas e veredas, um modo de conhecer a Madeira, para todo o viandante que aprecia o repouso e o contacto directo com a natureza, frequentemente quase intocada desde os primórdios do povoamento.

Partindo da Achada do Teixeira e percorrendo o PR 1.2- Vereda do Pico Ruivo com destino à Casa de Abrigo do Pico Ruivo encontrará aqui a sinalização referente aos seguintes percursos PR 1-Vereda do Pico do Areeiro em direcção ao 2º pico mais alto da Madeira (1817m) e o PR 1.1-Vereda da Ilha que desce até à freguesia da Ilha. O início do trilho para a Encumeada começa uns metros acima da Casa de Abrigo do Pico Ruivo.

Caracterizado por frequentes subidas e descidas desenrola-se entre os 1800 e os 1000 metros de altitude em direcção à Encumeada.
Oferece paisagens de extrema beleza permitindo aos caminhantes atravessar dois tipos de ecossistemas, ambos integrantes na Rede Europeia de Sítios de Iinteresse Comunitário – Rede Natura 2000: o Maciço Montanhoso Central e a Floresta Laurissilva.

À medida que for percorrendo o trilho, transitará do escarpado vulcânico da ilha característico dos andares fitoclimáticos superiores a 1400 m (do urzal de altitude) até aos envolventes cenários cobertos de espécies da floresta Laurissilva como os Tis (Ocotea foetens), os Loureiros (Laurus azorica), os Folhados (Clethra arborea), os Sanguinhos (Rhamnus glandulosa), os floridos Massarocos (Echium candicans), as raríssimas Orquídeas da Serra (Dactylorhiza foliosa) e as Estreleiras (Argyranthemum pinnatifidum).

Ao longo do trilho encontrará várias furnas escavadas nas rochas como a Furna da Lapa da Cadela, onde antigamente se abrigavam os homens que por aqui passavam com a principal missão de cortar urzes (Erica scoparia ssp maderensis e Erica arborea) para estacaria, lenha ou para a produção de carvão vegetal.

No cruzamento da Boca das Torrinhas poderá descobrir as panorâmicas sobre os majestosos vales do Curral das Freiras. Com a proximidade da Encumeada a sensação de estar no meio da ilha aumentará, pois terá o prazer de contemplar as paisagens a sul (Serra d’Água) como os vales de São Vicente a Norte.

Este percurso situa-se na zona oeste da Ilha da Madeira, ligando a freguesia dos Prazeres com o Paul do Mar, descendo dos 550 metros de altitude até à beira-mar.

Na freguesia dos Prazeres aproveite para visitar a Quinta Pedagógica onde, para além dos animais existentes, poderá saborear, na Casa de Chá, as infusões feitas com ervas aromáticas e medicinais e aproveitar para adquirir os doces tradicionais confeccionados com os frutos de origem biológica.

A descida é feita pela escarpa entre o Assomadouro nos Prazeres e o cais do Paul, por entre poios agrícolas, suportados pelos seus muros de pedra, antigamente cultivados com cereais; hoje em dia, com o declínio da agricultura, deixados ao abandono.
Assomadouro é o nome dado ao lugar de onde se avista algo de interessante, é sinónimo de miradouro. De facto, a vista que obtém daqui é soberba, pois as belas panorâmicas proporcionadas quer à esquerda, a pequenina freguesia do Jardim do Mar, quer à direita, o Paul do Mar, constituem um autêntico deslumbramento.

Denominado de “caminho de concelho”, é exemplo dos difíceis acessos muitas vezes percorridos com pesadas cargas às costas, mas única alternativa à ligação marítima, demasiado cara para muitos e impossível quando o mar se revoltava.
Este trilho constitui um autêntico património histórico; serpenteando a encosta em ziguezague com o piso calcetado em pequenos degraus é testemunha do isolamento das populações antepassadas, e dos engenhosos e árduos caminhos construídos pelo povo para ultrapassar esse isolamento.

As quedas de água e a flora endémica exclusiva destas altitudes, como oMassaroco da rocha (Echium nervosum) e a Figueira do inferno (Euphorbia piscatoria) contribuem para que o trilho se torne uma verdadeira descoberta.

Chegado ao Paúl do Mar, não deixe por explorar esta pequena freguesia à beira mar plantada e de admirar as grandes falésias que a abraçam. Outrora um importante centro piscatório, devido à grande abundância em peixe, fez com que em 1912 aparecesse uma indústria de conserva de atum com fins de exportação. Hoje em dia, poderá ainda observar os vestígios da chaminé da respectiva fábrica, bem como das salinas existentes, do engenho de cana–de–açúcar e ao pequeno porto piscatório com os seus característicos barcos de pesca, mantendo as tradições marítimas.

Este percurso faz a ligação entre o núcleo populacional da Ribeira da Janela e a área florestal que lhe é sobranceira, entre os 820 e os 400 metros de altitude, iniciando-se junto à estrada regional 209, na zona do Curral Falso e terminando na mesma estrada já dentro do núcleo populacional da Ribeira da Janela.

Este traçado segue os vestígios de uma antiga vereda utilizada pela população para explorar os recursos lenhosos oferecidos pela floresta e essenciais ao seu dia a dia. Era também o caminho utilizado pela população para a ligação com as localidades da zona sul, principalmente com a Calheta e Ponta do Sol, onde os rapazes corpulentos, subindo as encostas das serras, transportavam às costas os barris e/ou borrachos com o vinho produzido para venderem e/ou trocarem por outros produtos.

Na Ribeira da Janela poderá manter o contacto com a tradicional e peculiar área agrícola com os seus característicos poios agrícolas, suportados pelos muros de pedra laboriosamente trabalhados com batata-doce, semilha (batata), feijão, milho e a imprescindível vinha da Ribeira da Janela.

As casas ocupam uma posição dispersa pelos socalcos, estendendo-se entre a foz da ribeira e os 400 metros de altitude, ocupando a igreja uma posição intermédia. O nome da localidade Ribeira da Janela provém do nome do mais extenso curso de água da Ilha da Madeira com aproximadamente 15 700m.

Este é um bom local para poder avistar o Pombo trocaz (Columba trocaz), ave endémica exclusiva da Madeira. Na época das migrações poderá também encontrar na foz da Ribeira algumas das aves migratórias de passagem como a Garça branca (Egretta garzetta), a Garça vermelha (Ardea purpurea), o Pato real (Anas platyrhynchos).

Este trilho permitirá a ligação ao PR 14 – Levada dos Cedros e ao PR 13 – Vereda do Fanal, ambos com acesso à zona do Fanal.