Levadas e veredas, um modo de conhecer a Madeira, para todo o viandante que aprecia o repouso e o contacto directo com a natureza, frequentemente quase intocada desde os primórdios do povoamento.

Este trilho tem a particularidade de ligar os dois picos mais altos da Ilha da Madeira, o Pico Ruivo (1861 m) e o Pico do Areeiro (1817 m), percorrendo para tal, parte da área do Maciço Montanhoso Central, área integrante da Rede Natura 2000.

Com início junto à Pousada do Pico do Areeiro, passados alguns metros deparamo-nos com o miradouro do Ninho da Manta. Desta plataforma onde supostamente esta ave de rapina nidificava, pode-se ver o vale da Fajã da Nogueira onde nidificam alguns Patagarros (Puffinus puffinnus puffinus), São Roque do Faial e grande parte da Cordilheira Montanhosa Central. Este é o único local conhecido no Mundo onde ocorre a nidificação da Freira da Madeira (Pterodroma madeira), espécie endémica da ilha e considerada a ave marinha mais ameaçada da Europa.

Para atingir o Pico Ruivo contornamos pelo Pico das Torres uma subida íngreme através de uma escadaria escavada na rocha e posteriormente uma descida; a parte mais difícil deste trilho é a subida final até à Casa de Abrigo do Pico Ruivo, mas o pensamento de atingir o ponto mais alto da ilha é um factor impulsionador.

Ao longo do percurso, encontram-se várias grutas escavadas nos tufos vulcânicos onde o gado se refugiava e que serviam de abrigo aos pastores, podemos ainda observar diversas aves, das quais se destacam as espécies restritas à Macaronésia, o Canário (Serinus canaria canaria), o Corre-caminhos (Anthus berthelotti madeirensis) e a Andorinha-da-serra (Apus unicolor), assim como outras subespécies restritas ao Arquipélago da Madeira, Pardal-da-terra (Petronia petronia madeirensis), Tentilhão (Fringilla coelebs madeirensis) e o Bisbis (Regulus ignicapillus madeirensis).

Para os que gostam de observar as plantas, esta área é conhecida por urzal de altitude e caracteriza-se pela presença de vários endemismos da Madeira, destacando-se a Violeta da Madeira (Viola paradoxa), Urze da Madeira (Erica maderensis), Orquídea das Rochas (Orchis scopolorum) e a Antilídea (Anthyllis lemanniana).

Perto da casa de abrigo do Pico Ruivo encontra-se a vereda PR 1. 2 com acesso até à Achada do Teixeira. Na Achada do Teixeira podemos visitar o “Homem em pé”, formação rochosa basáltica que se encontra descendo a encosta, depois de passar a casa de abrigo da Achada do Teixeira.


O trilho percorre a Ponta de S. Lourenço, península mais a Este da Ilha da Madeira, baptizada com o nome da caravela de João Gonçalves de Zarco, um dos três descobridores da ilha da Madeira, que ao aproximar-se deste local gritou à nau de seu comando “Ó São Lourenço, chega!”.

Esta península é de origem vulcânica, na sua maioria basáltica, existindo também formações de sedimentos calcários. No seu seguimento temos dois ilhéus: o ilhéu da Cevada, da Metade ou dos Desembarcadouros, e o ilhéu da Ponta de S. Lourenço, do Farol ou de Fora.

A partir do “muro de pedra da Baía d’Abra” toda a área pertence ao Governo Regional, integrando o Parque Natural da Madeira. A península está classificada de reserva natural parcial e o ilhéu do Desembarcadouro de reserva natural integral.

Toda a área terrestre e a área marinha adjacente à costa Norte, até à profundidade dos 50 m, integram a rede europeia de sítios de importância comunitária - Rede Natura 2000.

O clima semi-árido e a exposição aos ventos do norte determinam o desenvolvimento da vegetação rasteira e ausência de árvores, diferindo do resto da ilha e constituindo um verdadeiro património natural. Aqui encontra-se o andar basal da ilha da Madeira em melhor estado de conservação e várias plantas raras e endémicas. Das 138 espécies de plantas actualmente identificadas na península, 31 são endémicas (exclusivas) da Ilha da Madeira.

Ao nível da fauna podemos destacar uma das maiores colónias de Gaivotas (Larus cachinnans atlantis) da Região, que nidifica no ilhéu do Desembarcadouro. Ao longo do caminho é frequente avistar várias espécies de aves como o Corre-caminhos (Anthus berthelotti madeirensis), o Pintassilgo (Carduelis carduelis parva), o Canário-da-terra (Serinus canaria canaria), e o Francelho (Falco tinnunculus canariensis). Neste local também nidificam aves marinhas protegidas como a Cagarra (Calonectris diomedea borealis), o Roque-de-Castro (Oceanodroma castro), a Alma-negra, (Bulweria bulwerii), e o Garajau-comum (Sterna hirundo). A Lagartixa (Lacerta dugesii), que é o único réptil da ilha, aqui é muito abundante.

Outro dos aspectos interessantes deste local é a existência de um número elevado de endemismos de moluscos terrestres (24), vulgarmente designados de caracóis. No mar, com alguma sorte, poderá observar a foca mais rara do mundo, conhecida na Madeira por Lobo-marinho (Monachus monachus).

No final, poderá dar um mergulho no cais do Sardinha (nome de família dos antigos proprietários). Na casa do Sardinha está sedeada uma equipa de Vigilantes da Natureza do serviço do Parque Natural da Madeira, responsável pela vigilância desta área.

Na linha do horizonte temos, a Sul as Ilhas Desertas, e a Norte as Ilhas do Porto Santo.

Este percurso faz a ligação entre o núcleo populacional da Ribeira da Janela e a área florestal que lhe é sobranceira, entre os 820 e os 400 metros de altitude, iniciando-se junto à estrada regional 209, na zona do Curral Falso e terminando na mesma estrada já dentro do núcleo populacional da Ribeira da Janela.

Este traçado segue os vestígios de uma antiga vereda utilizada pela população para explorar os recursos lenhosos oferecidos pela floresta e essenciais ao seu dia a dia. Era também o caminho utilizado pela população para a ligação com as localidades da zona sul, principalmente com a Calheta e Ponta do Sol, onde os rapazes corpulentos, subindo as encostas das serras, transportavam às costas os barris e/ou borrachos com o vinho produzido para venderem e/ou trocarem por outros produtos.

Na Ribeira da Janela poderá manter o contacto com a tradicional e peculiar área agrícola com os seus característicos poios agrícolas, suportados pelos muros de pedra laboriosamente trabalhados com batata-doce, semilha (batata), feijão, milho e a imprescindível vinha da Ribeira da Janela.

As casas ocupam uma posição dispersa pelos socalcos, estendendo-se entre a foz da ribeira e os 400 metros de altitude, ocupando a igreja uma posição intermédia. O nome da localidade Ribeira da Janela provém do nome do mais extenso curso de água da Ilha da Madeira com aproximadamente 15 700m.

Este é um bom local para poder avistar o Pombo trocaz (Columba trocaz), ave endémica exclusiva da Madeira. Na época das migrações poderá também encontrar na foz da Ribeira algumas das aves migratórias de passagem como a Garça branca (Egretta garzetta), a Garça vermelha (Ardea purpurea), o Pato real (Anas platyrhynchos).

Este trilho permitirá a ligação ao PR 14 – Levada dos Cedros e ao PR 13 – Vereda do Fanal, ambos com acesso à zona do Fanal.