Levadas e veredas, um modo de conhecer a Madeira, para todo o viandante que aprecia o repouso e o contacto directo com a natureza, frequentemente quase intocada desde os primórdios do povoamento.

Este percurso situa-se na zona oeste da Ilha da Madeira, ligando a freguesia dos Prazeres com o Paul do Mar, descendo dos 550 metros de altitude até à beira-mar.

Na freguesia dos Prazeres aproveite para visitar a Quinta Pedagógica onde, para além dos animais existentes, poderá saborear, na Casa de Chá, as infusões feitas com ervas aromáticas e medicinais e aproveitar para adquirir os doces tradicionais confeccionados com os frutos de origem biológica.

A descida é feita pela escarpa entre o Assomadouro nos Prazeres e o cais do Paul, por entre poios agrícolas, suportados pelos seus muros de pedra, antigamente cultivados com cereais; hoje em dia, com o declínio da agricultura, deixados ao abandono.
Assomadouro é o nome dado ao lugar de onde se avista algo de interessante, é sinónimo de miradouro. De facto, a vista que obtém daqui é soberba, pois as belas panorâmicas proporcionadas quer à esquerda, a pequenina freguesia do Jardim do Mar, quer à direita, o Paul do Mar, constituem um autêntico deslumbramento.

Denominado de “caminho de concelho”, é exemplo dos difíceis acessos muitas vezes percorridos com pesadas cargas às costas, mas única alternativa à ligação marítima, demasiado cara para muitos e impossível quando o mar se revoltava.
Este trilho constitui um autêntico património histórico; serpenteando a encosta em ziguezague com o piso calcetado em pequenos degraus é testemunha do isolamento das populações antepassadas, e dos engenhosos e árduos caminhos construídos pelo povo para ultrapassar esse isolamento.

As quedas de água e a flora endémica exclusiva destas altitudes, como oMassaroco da rocha (Echium nervosum) e a Figueira do inferno (Euphorbia piscatoria) contribuem para que o trilho se torne uma verdadeira descoberta.

Chegado ao Paúl do Mar, não deixe por explorar esta pequena freguesia à beira mar plantada e de admirar as grandes falésias que a abraçam. Outrora um importante centro piscatório, devido à grande abundância em peixe, fez com que em 1912 aparecesse uma indústria de conserva de atum com fins de exportação. Hoje em dia, poderá ainda observar os vestígios da chaminé da respectiva fábrica, bem como das salinas existentes, do engenho de cana–de–açúcar e ao pequeno porto piscatório com os seus característicos barcos de pesca, mantendo as tradições marítimas.

Este trilho tem a particularidade de ligar os dois picos mais altos da Ilha da Madeira, o Pico Ruivo (1861 m) e o Pico do Areeiro (1817 m), percorrendo para tal, parte da área do Maciço Montanhoso Central, área integrante da Rede Natura 2000.

Com início junto à Pousada do Pico do Areeiro, passados alguns metros deparamo-nos com o miradouro do Ninho da Manta. Desta plataforma onde supostamente esta ave de rapina nidificava, pode-se ver o vale da Fajã da Nogueira onde nidificam alguns Patagarros (Puffinus puffinnus puffinus), São Roque do Faial e grande parte da Cordilheira Montanhosa Central. Este é o único local conhecido no Mundo onde ocorre a nidificação da Freira da Madeira (Pterodroma madeira), espécie endémica da ilha e considerada a ave marinha mais ameaçada da Europa.

Para atingir o Pico Ruivo contornamos pelo Pico das Torres uma subida íngreme através de uma escadaria escavada na rocha e posteriormente uma descida; a parte mais difícil deste trilho é a subida final até à Casa de Abrigo do Pico Ruivo, mas o pensamento de atingir o ponto mais alto da ilha é um factor impulsionador.

Ao longo do percurso, encontram-se várias grutas escavadas nos tufos vulcânicos onde o gado se refugiava e que serviam de abrigo aos pastores, podemos ainda observar diversas aves, das quais se destacam as espécies restritas à Macaronésia, o Canário (Serinus canaria canaria), o Corre-caminhos (Anthus berthelotti madeirensis) e a Andorinha-da-serra (Apus unicolor), assim como outras subespécies restritas ao Arquipélago da Madeira, Pardal-da-terra (Petronia petronia madeirensis), Tentilhão (Fringilla coelebs madeirensis) e o Bisbis (Regulus ignicapillus madeirensis).

Para os que gostam de observar as plantas, esta área é conhecida por urzal de altitude e caracteriza-se pela presença de vários endemismos da Madeira, destacando-se a Violeta da Madeira (Viola paradoxa), Urze da Madeira (Erica maderensis), Orquídea das Rochas (Orchis scopolorum) e a Antilídea (Anthyllis lemanniana).

Perto da casa de abrigo do Pico Ruivo encontra-se a vereda PR 1. 2 com acesso até à Achada do Teixeira. Na Achada do Teixeira podemos visitar o “Homem em pé”, formação rochosa basáltica que se encontra descendo a encosta, depois de passar a casa de abrigo da Achada do Teixeira.


Este trilho inicia-se junto à Estrada Regional e tem a particularidade de permitir a descida pela arriba fóssil da Fonte da Areia até à praia do Calhau.

A espectacular arriba arenosa esculpida pelo vento ao longo dos anos, indica bem o efeito da erosão eólica, que se faz sentir na ilha do Porto Santo.

Ao iniciarmos a descida deparamo-nos com uma fonte, datada do ano de 1843 e obviamente a responsável pela origem do nome do local. Em tempos esta água era muito apreciada pelas suas propriedades terapêuticas e medicinais, utilizada então para o abastecimento do sítio da Camacha. Hoje em dia está imprópria para consumo.

Depois de alguns degraus encontramos um pequeno miradouro do lado direito, que nos impressiona com as falésias a norte.

A praia do Calhau é considerada, pela população local, como um óptimo ponto de pesca, sendo muito utilizada pelos mesmos.

A vegetação existente neste percurso é essencialmente herbácea existindo algumas plantas raras como o caso do Limónio (Limonium ovalifolium), da Eufórbia marítima (Euphorbia paralias L.).

A descida faz-se em zizue-zague até ao calhau. O acesso ao mar nem sempre é seguro, porque para além da ondulação esta zona da praia tem algumas rochas, por isso deixe-se seduzir com o azul e com o horizonte e mantenha-se a apreciar e descobrir os pequenos ilhéus que daqui se avistam.